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sábado, 25 de maio de 2013

Aprendi: Não seria eu

Antes de mais nada, dá play aqui:



"Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos, não seria eu

Se não fossem as minhas tias com todos os mimos
Ou se eu menino fosse mais amado
Se não desse errado, não seria eu

Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Eu não quero ser chato, mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim

Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim

Se não fosse os ais e não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador
Se não fosse Deus bancando o escritor..."

Era outra madrugada insone de sexta-feira como outra qualquer quando resolvi baixar o CD da Clarice Falcão (que aliás é inteiro maravilhoso) e ouvi essa música. E chorei. Chorei porque com essa letra tão simples, ela me fez pensar em muita coisa.

Acontece que eu costumava achar a maior baboseira aquela história de "só me arrependo do que não fiz". Eu me arrependia de várias coisas e, se me dessem a oportunidade, eu voltaria, sim, no tempo, e refaria tudo. Só que o tempo passa. E pode parecer mentira, mas o tempo cura tudo. Tá certo, pode ser que exista uma cicatriz eterna, mas, assim como todas as outras que você tem no seu corpo, chega um momento em que ela não dói mais, e ela vai ficando mais clarinha, até que você começa a esquecer que ela tá lá. Pode ser que vez ou outra você olhe e lembre, mas já nem te incomoda. 

E eu aprendi que assim é a vida. Já fiz muita - desculpa o termo - merda. Às vezes ajo sem pensar e, quando percebo, ela tá feita. Já fiz besteira que me custou tempos de isolamento e sofrimento, de solidão. Já fiz besteira que me custou perder pessoas próximas. Já fiz besteira que me fez querer sumir do mundo. E naqueles momentos, eu achava que eu nunca ia me recuperar. Mas, novidade: aqui estou eu, firme e forte. E satisfeita demais com minha vida. O que me traz ao ponto principal: se não tivesse acontecido tudo que me aconteceu, não seria eu

Desde as coisas mais sérias às mais banais, qualquer coisa que tiver me acontecido, me trouxe aonde estou. E se eu tive que sofrer, foi pra ficar mais forte. Se eu tive que perder pessoas, foi porque talvez elas não me acrescentassem tanto assim no saldo final da situação, já que resolveram me descartar diante de qualquer complicação. O que eu perdi trouxe espaço pra coisas bem melhores no futuro. O destino sempre dá um jeito de te levar aonde você deve estar, e comigo ele sempre é um pouco drástico demais, mas ele sempre cumpre seu dever.

E, independente de tudo, eu tenho orgulho de quem sou. E se o fato é que eu sou muito do seu desagrado, eu não sei o que você tem contra mim. E você pode tentar me deixar culpado, mas foi o resto da vida inteira que me fez assim. E foi Deus bancando o escritor que resultou em tudo isso. Então tá de boa. Então, pra mim, tá tudo certo.

Espero que isso tenha te feito pensar, assim como eu. Se a vida não tivesse se desenrolado do jeitinho que foi, não seria eu.

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